O relógio marcava duas da manhã e o toque incessante do telefone, fez com que acordasse de sobressalto. Demorou a colocar os pensamentos em ordem antes de direcionar-se ao aparelho. Aquela voz estava trêmula, vacilante e baixa. Não conseguia acreditar no que escutava; Luiz, seu melhor amigo da infância até o final da universidade estava morto, pior do que isso, só quem falava, era Nicole!
Sentou-se na cama e um filme passou em sua mente, viajou para a noite em que chegou mais cedo na República em que moravam e encontrou-os na cama. Era uma traição que não conseguia superar, afinal Luiz era conhecedor da paixão dele pela moça que contrariando as estatísticas havia se atirado de cabeça na Faculdade de Engenharia. Lembrara que deixara tudo para trás, pediu transferência para outra cidade. Seguia sua vida até receber o segundo golpe, haviam casado naquele mesmo ano, mas e agora, o que fazer? Ser desumano e não prestar a ultima homenagem ao amigo de outrora? Apesar de tudo, sempre encontrara em Luiz um fiel parceiro, um incentivado. Superar a dor e encarar parte de seu passado? Ficou naquele dilema o restante da noite.
Não conseguiu mais dormir, quando fitou o horário, eram 9 horas da manhã e movido pelo impulso sempre presente em seus atos se vestiu, pegou as chaves do carro e seguiu em direção ao compromisso que nunca desejou participar.
Chegou ao cemitério e procurou a capela, ainda pensava de forma irracional não ser possível a partida do amigo, era surreal, mas sim, lá estava Luiz, inerte, com um semblante de quem estava apenas sesteando, mas não, ele não estava mais ali. Olhou rapidamente em redor, e identificou os pais de seu amigo, agachou-se e chorou o mesmo canto de dor enquanto os consolava. Levantou e percorreu uma vez mais o ambiente até seus olhos cruzarem-se com os de Nicole. Ela continuava linda apesar dos anos. Seus olhos grandes e azuis, o nariz bem fino e a boca bem desenhada, sua marca registrada estavam ali. Desejou fugir, mas era tarde, Nicole veio à sua direção e num impulso se atirou em seus braços, chorava como uma criança, nada falaram apenas as lágrimas rolaram. Não havia espaço para justificativas.
Passado o impacto inicial do reencontro, começaram a falar. Ela explicou que Luiz há muito desejava um reencontro, principalmente quando descobriu a doença que lhe consumiu nos últimos dois anos. Quanto mais escutava, mais vil se sentia. O amigo precisou dele e ele havia sumido. Enquanto Nicole versava, seus pensamentos voltavam ao passado e lembrou-se das juras que ambos trocaram, das festas que aproveitaram juntos, das viagens a praia e das vezes que a teve nas mãos.
Foi chamado à si quando escutou baterem na porta da capela, precisavam do responsável para acertar os detalhes do enterro. Ela se dirigiu à saída e com um olhar ele entendeu, foram juntos até a secretaria. Após os trâmites, não agüentou, sabia que o local não era o mais adequado, mas, teve que perguntar o porquê ela havia lhe feito sofrer daquele jeito e a resposta foi mais do que impressionante. Fez porque o amava sempre lhe amou, mas não era uma mulher fiel, o sexo e o amor não andavam juntos e por amar-lhe demais, preferiu deixá-lo livre, ter apenas uma desilusão ao invés de várias.
Tomado daquele impulso e ao vislumbrar uma porta aberta, puxou-a para dentro. Sabiam o que aconteceria, arfavam como dois animais no cio. Suas mãos continuavam hábeis e logo estavam por baixo da blusa, constatando que os seios continuavam irresistíveis e tesos. Suas bocas tocaram-se, as línguas quais bailarinas começaram-se a mover em um ritmo frenético. Ela tirou-lhe a camisa, via que apesar dos 40 anos continuava em forma, sempre havia sido um atleta, tomada de desejo, daquela excitação que se encontra nos adolescentes, abriu-lhe a braguilha e começou lentamente a agachar-se, parecia que sorvia a última fruta do pomar. Ele lembrou-se de quantas noites enlouquecera com aquele ritmo. Continuava a mesma, olhava-o delirar de prazer enquanto o tinha na boca. Levantou-se e com um gesto o fez entender, era sua vez! Tirou-lhe a saia e encontrou-a com as peças que sempre usou, minúscula lingerie cobria-lhe. Puxou a de lado e teve o prazer de escutar os gemidos baixinhos, aqueles que lhe atiçavam, que faziam com que seu lado animalesco falasse. Sim, ela gozou, sentiu-se completa como há muito não sentia. Tirou a blusa e roçou-se no corpo do seu homem do passado, agora desejava novamente ter-lhe dentro dela. Ele sabia como fazê-la delirar, virou-lhe de costas e a penetrou, trazia-lhe contra o corpo, desejando que entrasse em seu peito, que ela não pudesse mais escapar-lhe, que fossem apenas um. Apertava-lhe os seios que de brancos tornaram-se róseos pela força que lhe aplicavam. Suavam, gemiam juntos, de forma cadenciada enquanto viviam aquele momento, não queriam que acabasse. Nicole a cada instante estava mais excitada, molhada, e ele rijo. Não se importavam com o momento e nem com o tempo. Sentindo que gozaria novamente, Nicole e se entregou sublime e ao perceber que o amante faria o mesmo virou-se e rapidamente, se agachou abocanhando-lhe novamente, sorvendo todo o liquido quente que ele despejava, o que fez com desejo, degustando cada gota para delírio dele.
Levantou-se vestiu a roupa e esperou que fizesse o mesmo. Já se preparava para sair quando ele segurou-a pelo braço e cometeu seu maior pecado, perguntou-lhe quando veriam-se novamente. Nicole olhou-o bem e como quem tivesse sido questionada sobre o nome de uma rua, respondeu com um desdém inigualável: nunca, já respondera que o amava, mas não era mulher de um homem só e além do mais haveriam outros como ele que a consolariam naquele dia em que a verdadeira vitima era o seu eterno amigo Luiz.
conto escrito por este humilde blogueiro
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