terça-feira, 1 de setembro de 2009

Conto - Janela Intima



Sempre encarei o hobby de meu irmão, um tanto quanto sem sentido. Ficar horas a fio, com o rosto enfiado em um telescópio observando estrelas não era nem um pouco estimulante. Mal sabia que minha opinião seria modificada radicalmente. Estava cansada das provas finais da faculdade, os exames haviam sido difíceis e o que mais desejava era passar alguns dias longe de toda aquela correria, e que melhor lugar para refugiar-me do que nosso apartamento na Serra? Joguei dentro da mala tudo o que julguei necessário para quatro dias de retiro total e encarei a estrada. Minha surpresa foi tamanha ao chegar e constatar que ele estava em condições deploráveis, gritava urgentemente por uma boa limpeza, minha primeira tarde respirando os ares mais leves do que o da capital foi de total indignação! Estava exausta e ainda por cima tive que limpar, arejar, enfim, dar um “up” total nos cômodos. Quando vi, o sol já havia se escondido e só me restava tomar um banho. A água revigora os ânimos minha avó dizia!

Juro que sai revigorada da ducha, a noite estava abafada o que a tornava minha aliada. Dessa forma conseguia usar meu pijaminha predileto – nada! Estava tudo sensacional, deitei no sofá, peguei um livro que há muito desejava ler e comecei a folhar as páginas, ia sorvendo cada palavra, cada sentido literal, mas em pouco tempo comecei a entediar-me, já estava sem paradeiro, uma vontade louca de fazer algo diferente, sair da rotina. Olho para o canto da sacada e o que encontro? O telescópio de meu irmão. Pensei, bom, vejamos o que de tão engraçado e excitante existe em observar um brilho a milhões de anos luz daqui. Lógico, pra mim não há nada disso na observação estelar. Nosso prédio fica em uma parte alta da cidade o que permite uma visão privilegiada da cidade e logo comecei a direcioná-lo para outras posições, observava os carros, as casas, as pessoas até que tive a visão que mudaria minhas concepções!

Custei a acreditar no que meus olhos viam! Distante algumas centenas de metros, havia uma janela aberta em outro prédio. Conseguia perceber apesar do ambiente em meia-luz um casal se preparando para aquela que considero uma das noites mais incríveis de minha vida, à noite em que fui a voyeur involuntária de um momento regado a fantasias e desejos. A cortina semi-aberta permitia-me ver um casal jovem, uma moça morena de cabelos curtos, bem desenhada, capaz de despertar inveja a muitas mulheres e o homem não menos interessante.

Naquele momento fiquei confusa, não sabia se parava de invadir a intimidade daquele casal ou continuava como uma convidada escondida. O desejo e a curiosidade falaram mais alto e mantive-me ali, enfeitiçada pelo que começava a presenciar. A moça deitou-se nua, completamente entregue ao seu acompanhante, pernas e braços aberto que foram amarrados na cama com lenços vermelhos. Recebeu como recompensa, um beijo demorado, daqueles que fazem nossas pernas estremecer antes de ter seus olhos vendados. Achei loucura uma mulher se deixar dominar daquela forma, mas depois, invejei-a! O homem passou a acariciar seu corpo com uma pena delicada, branca, longa, que percorria cada centímetro, iniciou sua corrida pelos lábios carnudos, descendo pelo pescoço e repousando nos seios, que a esta altura, com seus bicos duros, mostravam que a excitação estava tomando-a, causando espasmos que percebia serem de total prazer. Ele não se manteve inerte, a pena percorreu sua barriga e para minha surpresa, seguiu rumo as pernas e pés da moça. Não preciso dizer que estava completamente enlouquecida com o que presenciava, era inegável que me via naquela situação, sendo desejada, cortejada e estimulada!

Comecei a me tocar, cada lugar que a pena repousava era visitado por minha mão, não tinha a menor idéia de como iria terminar, mas não me interessava, tão pouco se era vista, se meus gemidos eram escutados, o mundo havia parado, só existíamos os três! A sessão continuava, o corpo da jovem era explorado com uma pedrinha de gelo. Em cada passear o rapaz levemente soprava a região, fazendo com que a sensação se multiplicasse em infinitas vezes, ele realmente sabia o que estava proporcionando a sua amante. Minha excitação aumentava cada vez mais, não conseguia parar de me tocar, de me projetar naquela cena, minha vontade era de descer correndo e invadir aquele quarto, pedir para ser amarrada e amada daquela forma! Não acreditei quando ele derramou um pouco de champagne no corpo da mulher e começou a percorrê-la com a boca. As pernas morenas e bem torneadas começaram a levantar aquele corpo de mulher entregue ao prazer e sem muita cerimônia ele a invadiu com sua língua.

Ele fazia sexo oral com maestria, aquela não era encarada como uma região qualquer. Não, era o prêmio conquistado, muito disputado e ele havia feito por merecê-la. Vê-los daquela maneira fez com que sentisse em mim aquela boca, sentia aquelas mãos a passear por meu corpo, aqueles dedos a me desbravar, não conseguia mais parar, estava louca, excitada, tremendo de prazer, desejando uma vez mais transportar-me para aquele quarto, gemia junto com aquela minha doce estranha parceira, o calor tomava conta de mim e chegamos juntas ao gozo, foi indescritível.

Torcia por mais e eles também, o homem fitava sua mulher deitada, entregue recuperando-se de tudo o que havia experimentado e tal como libertador, passou a desamarrá-la, sentia, mesmo a distancia a tensão que ali existia, ela levantou-se, beijou-o novamente demoradamente e foram em direção a janela, ela de costas para ele começou a ser penetrada, e eu ali, fascinada, feliz por ter a possibilidade de continuar vendo-os em ação, mas para minha surpresa, ambos olharam para minha janela, acenaram-me, fechando as cortinas e me deixando apenas imaginando o que se desenrolou naquele quarto.

Nas noites que se seguiram, marcávamos nossos encontros da mesma forma, eles lá e eu aqui, me realizando de uma forma diferente a cada noite. Ah, já ia esquecendo, hoje, tenho um telescópio bem potente na janela de meu quarto, nunca se sabe o que ele pode nos proporcionar nas quentes noites de uma cidade grande!

Nenhum comentário:

Postar um comentário